Friday, January 5, 2007

                                

ramos de estrada - o sabor dos olhos digeridos pelo coração

 (Ervas de guampa)

 

- A voz pontuada da viola vibra meu corpo

minha casa sonora

e soma o avesso de minhas roupas velhas

vestindo-me no caldo aromático das panelas -

 

                                            -

 

Meus artigos femininos

o tom do seresteiro  em meus anéis

 esta embriaguez que me adoça a língua

e espalha cócegas matutinas na nuca

cinge giz rubro em minha lousa labial

arpejo dos dedos eróticos em meu tornozelo enternecido

 

O canto borbulha nos volumes côncavos do meu ego

e gozo primeiro no altar frívolo dos lençóis

despregando as notas do estômago em toques demorados

deixando fugir nas noites de fogueira

crispas incandescentes de fulgor

 

                             - 

Farejo o ar

desdobro folhas apalpando o musgo estéril

excitando–o

 

                            -

 

Descubro-te com o tato

sopro quente que amarro ao vento

estanco o peito vazado de chumbo

sangue impregnando sonhos,

frinchas cortantes lacerando a derme do amar

 

         -

 

Calado, o mundo é um eco de repique,

um rufar tardio, um apito túrgido.

 

      -

 

Sei regar os mudos botões dos seios em minha boca

como se os abotoasse no corpo desnudo

e fosse me enfeitando de sua brandura ensandecida

me valendo de seus óleos, de teu incenso íntimo

de tuas ervas selvagens.

Teando o oculto na sede de nossos trópicos inflamados

                            -

 Na saudade que tenho do futuro

todas as paredes são erguidas no baldio

balneário do meu amar

 

                        -

Que no chão das formigas ninguém mexa

só os odores do capim gordura

                         -

A saudade, quando penso nela,

já não saúda minha dor

                        -

O corpo do rio anseia pelo sal

abre sulcos na pele

reboleia entre os galhos

que curvam-se para ouvir-lhe a voz

vagarosa e verde

                         -

Meus braços em correnteza

desfloram as margens da primavera

e vão em cada remanso colonizando

polens e saudades

                        -

 Regatos, os ilimites do contido

                       -

 

Os charcos lamentam dolorosos através do coaxar dos sapos

                       -

A terra se enche de manias e tiques estremecidos

             (Paisagismo Tempestre)

 

                         -

Os besouros são jabuticabas aladas

sua sumarenta polpa lume lustrada

atiça-me os olhos

                         -

 

Como são lindas as raízes feito crianças

pelejando pelo palmo de chão

Como são lindas as crianças enraizando peleja

de faz-de-conta pelo descampos do meu coração

 

 

 

 

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