ramos de estrada - o sabor dos olhos digeridos pelo coração
(Ervas de guampa)
- A voz pontuada da viola vibra meu corpo
minha casa sonora
e soma o avesso de minhas roupas velhas
vestindo-me no caldo aromático das panelas -
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Meus artigos femininos
o tom do seresteiro em meus anéis
esta embriaguez que me adoça a língua
e espalha cócegas matutinas na nuca
cinge giz rubro em minha lousa labial
arpejo dos dedos eróticos em meu tornozelo enternecido
O canto borbulha nos volumes côncavos do meu ego
e gozo primeiro no altar frívolo dos lençóis
despregando as notas do estômago em toques demorados
deixando fugir nas noites de fogueira
crispas incandescentes de fulgor
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Farejo o ar
desdobro folhas apalpando o musgo estéril
excitando–o
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Descubro-te com o tato
sopro quente que amarro ao vento
estanco o peito vazado de chumbo
sangue impregnando sonhos,
frinchas cortantes lacerando a derme do amar
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Calado, o mundo é um eco de repique,
um rufar tardio, um apito túrgido.
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Sei regar os mudos botões dos seios em minha boca
como se os abotoasse no corpo desnudo
e fosse me enfeitando de sua brandura ensandecida
me valendo de seus óleos, de teu incenso íntimo
de tuas ervas selvagens.
Teando o oculto na sede de nossos trópicos inflamados
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Na saudade que tenho do futuro
todas as paredes são erguidas no baldio
balneário do meu amar
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Que no chão das formigas ninguém mexa
só os odores do capim gordura
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A saudade, quando penso nela,
já não saúda minha dor
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O corpo do rio anseia pelo sal
abre sulcos na pele
reboleia entre os galhos
que curvam-se para ouvir-lhe a voz
vagarosa e verde
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Meus braços em correnteza
desfloram as margens da primavera
e vão em cada remanso colonizando
polens e saudades
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Regatos, os ilimites do contido
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Os charcos lamentam dolorosos através do coaxar dos sapos
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A terra se enche de manias e tiques estremecidos
(Paisagismo Tempestre)
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Os besouros são jabuticabas aladas
sua sumarenta polpa lume lustrada
atiça-me os olhos
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Como são lindas as raízes feito crianças
pelejando pelo palmo de chão
Como são lindas as crianças enraizando peleja
de faz-de-conta pelo descampos do meu coração