Wednesday, November 29, 2006

 Com-sacra-ação

 

Meu ritmo salino misturado a sua cadência  

 

Torna-me o bojo de tuas sonâncias

 

Loa polvilhada ao morrer do dia…

 

Meus dedos vadiamente em prece tocam-lhe os pés

 

Através do toque faço amor com a divindade

 

Deitamo-nos nas escadarias, na tecla mais grave, desafinados…

  

São a nós as bênçãos dos fiéis quando cruzam o limiar ventral

 

São a nós os terços mal rezados, e as pernas que se roçam entre saias tão recatadas.

  

Meus lábios intumescido de teu verbo feito carne

 

Eucaristicamente dissolvem-se, perdem o continente corpóreo

 

E semeiam o sal em seu leito de mulher

 

Deus e o Diabo sujando as unhas na terra mais úmida

 

 

Sob a túnica a matéria é mastigada em língua tépida

 

Sob os mil-panos do altar, alternam-se Ágape e Eros como cabras cegas

 

Bodes alados, berrando a esquerda e a direita do trono do Altíssimo

 

Meus dedos se contraem fervorosos nutrindo-se do arrepio feerico de sua pele

 

Aperto as pálpebras , nossas  palmas embebidas de devoção peregrinam a porcelana

 

Trincada, e é pelo trinco, pelas frestas do perfeito que choram leite e mel

 

Eva e Madalena gozando o sumo de manga enrubescida

 

Embriago-me neste cálice, esta uva etílica, este seixo côncavo

 

O intemporal em nossas veias cauterizando toda culpa

 

Dissolvendo nossos bunkers de censura, conciliando nossos corpos

 

Aninhados um no outro, num indivisível gozo consagrado.

 

Posted by in 18:44:14 | Permalink | Comments (1) »