Meu ritmo salino misturado a sua cadência
Torna-me o bojo de tuas sonâncias
Loa polvilhada ao morrer do dia…
Meus dedos vadiamente em prece tocam-lhe os pés
Através do toque faço amor com a divindade
Deitamo-nos nas escadarias, na tecla mais grave, desafinados…
São a nós as bênçãos dos fiéis quando cruzam o limiar ventral
São a nós os terços mal rezados, e as pernas que se roçam entre saias tão recatadas.
Meus lábios intumescido de teu verbo feito carne
Eucaristicamente dissolvem-se, perdem o continente corpóreo
E semeiam o sal em seu leito de mulher
Deus e o Diabo sujando as unhas na terra mais úmida
Sob a túnica a matéria é mastigada em língua tépida
Sob os mil-panos do altar, alternam-se Ágape e Eros como cabras cegas
Bodes alados, berrando a esquerda e a direita do trono do Altíssimo
Meus dedos se contraem fervorosos nutrindo-se do arrepio feerico de sua pele
Aperto as pálpebras , nossas palmas embebidas de devoção peregrinam a porcelana
Trincada, e é pelo trinco, pelas frestas do perfeito que choram leite e mel
Eva e Madalena gozando o sumo de manga enrubescida
Embriago-me neste cálice, esta uva etílica, este seixo côncavo
O intemporal em nossas veias cauterizando toda culpa
Dissolvendo nossos bunkers de censura, conciliando nossos corpos
Aninhados um no outro, num indivisível gozo consagrado.