-Um tico de Nada-
Friday, May 18, 2007
Wednesday, May 16, 2007
Jaz.mim
Em duas folhas de árvore veneziana
comecei um par.agrafo
dois dedos de espaço entre o aqui e o pensar
pensando reparo na beleza sem nunca tocá-la
procuro deixar na des.pensa tudo o que não for sujeitável
tudo que não seja prenho de um pretérito imperfeito e feminino
fecundável pelo ente inexistente,
onde possa a Verdade delirar.se e perder.se.
pensando não quero o vero.crível, mas o vero.incrível.
Ponho em cada poente uma ponte
e atra.verso.a para morar no gerúndio .
no tempo que o tempo dá ao tempo
quando de saber já vou de esquecimentos
Será que cabem os farelos do pensar no jaz.mim?
Amo o perfume dos jasmins, uma inspirada e fico ermo
hermético, hermafrodita, hemisférico, hermanêutico
entendo de viés a lira dos hebreus.
Tenho uma janela 3×4
Mas finalmente sou.rio,
e me gosto na observação dos moradores
de fora
minha casa é o quintal da casa do mundo
onde jaz.mim,
onde findo o par.agrafo…
Sunday, May 13, 2007
eu pedra
trem de mármore
trilhos in.paralelos
guardador de chuva e girassol
morador temporário dos charcos de quintal
erva.braba entre camomilas
carrapicho das ramas recaídas e dormentes
um dedal de sol para costurar um mirante
eu moinho sob a lança de Quixote
leal dragão de hélices
cuspindo vento, domador de pedras
acendedor de vaga.lumes
que nunca se alumesce
eu pedra
e
faísca
Tuesday, March 20, 2007
Me querem forma
E eu diz: formo
Há.feto
No meu diz: conforme
Me querem lógico
E eu diz: léxico
Há.via
No meu diz: caminho
Me querem efeito
E eu diz: causo
Há.basbacar
No meu diz:abalado
Me querem cartesiano
E eu diz: respeito
Há.ethos
No meu diz: regulado
Me querem com.passo
E eu diz: classifico
Há.bono
No meu diz:favorável
Me querem ali.ser.se?
E eu diz: digo-me
No meu diz: ego.i.ficado
Monday, January 8, 2007
Vens tu com teu cesto de grãos
se-me-adora,
perspassa minhas cercas de arlecrim
se ferindo nos nós de aço
e depondo pele e sangue
como num pacto de criança
e por não mais de um ai
doemo-nos de mãos dadas
rindo os momentos que não estivemos
amando no outro o nunca de si
ventas tu na pele de meu rio
e faz do saveiro algo mais além
Friday, January 5, 2007
ramos de estrada - o sabor dos olhos digeridos pelo coração
(Ervas de guampa)
- A voz pontuada da viola vibra meu corpo
minha casa sonora
e soma o avesso de minhas roupas velhas
vestindo-me no caldo aromático das panelas -
-
Meus artigos femininos
o tom do seresteiro em meus anéis
esta embriaguez que me adoça a língua
e espalha cócegas matutinas na nuca
cinge giz rubro em minha lousa labial
arpejo dos dedos eróticos em meu tornozelo enternecido
O canto borbulha nos volumes côncavos do meu ego
e gozo primeiro no altar frívolo dos lençóis
despregando as notas do estômago em toques demorados
deixando fugir nas noites de fogueira
crispas incandescentes de fulgor
-
Farejo o ar
desdobro folhas apalpando o musgo estéril
excitando–o
-
Descubro-te com o tato
sopro quente que amarro ao vento
estanco o peito vazado de chumbo
sangue impregnando sonhos,
frinchas cortantes lacerando a derme do amar
-
Calado, o mundo é um eco de repique,
um rufar tardio, um apito túrgido.
-
Sei regar os mudos botões dos seios em minha boca
como se os abotoasse no corpo desnudo
e fosse me enfeitando de sua brandura ensandecida
me valendo de seus óleos, de teu incenso íntimo
de tuas ervas selvagens.
Teando o oculto na sede de nossos trópicos inflamados
-
Na saudade que tenho do futuro
todas as paredes são erguidas no baldio
balneário do meu amar
-
Que no chão das formigas ninguém mexa
só os odores do capim gordura
-
A saudade, quando penso nela,
já não saúda minha dor
-
O corpo do rio anseia pelo sal
abre sulcos na pele
reboleia entre os galhos
que curvam-se para ouvir-lhe a voz
vagarosa e verde
-
Meus braços em correnteza
desfloram as margens da primavera
e vão em cada remanso colonizando
polens e saudades
-
Regatos, os ilimites do contido
-
Os charcos lamentam dolorosos através do coaxar dos sapos
-
A terra se enche de manias e tiques estremecidos
(Paisagismo Tempestre)
-
Os besouros são jabuticabas aladas
sua sumarenta polpa lume lustrada
atiça-me os olhos
-
Como são lindas as raízes feito crianças
pelejando pelo palmo de chão
Como são lindas as crianças enraizando peleja
de faz-de-conta pelo descampos do meu coração
Thursday, December 21, 2006
agridoce - acre-doce - parte-docê
aroma amarelo, este visgo harmônico dos lábios,
o rodopio espiralado da saia, a digestão lenta dos ideais,
o sabor indissolúvel da memória, as fendas na pele como bagos de uva
o cio do silêncio, o espermã do verbo, o nascimento do erótico
o gozo vacuoso das estrelas, a angústia da avidez,
o pó torpe da pó-e-cia
os moinhos da sancha pança, os acalantos da loucura
e todas as flores que roubam da noite a volúpia
e todas as bocas que enfartam-se do corpo do poeta
um gomo de fruto insosso
o paladar eflúvio do sonho
o arlequim nu
na quarta
feira em
cinzas.
existo numa inexistência soberba
num sem vontade, num ócio do ofício,
embaçando vidros com meu bafo morno
alimentando-me
das formas lânguidas, liquefeitas em praça pública
maldita caldeira, malditos preparos alquímicos com enxofre
estou louco e lúcido, luciférico nas manifestações todas
trago em mim requintes das seitas estetas,
pingo ouro fervido nas narinas
embebo meus nervos de óleo de linhaça…
e abro a boca largamente a dar passagem a voz alegórica
que bordei na pele e nas hastes do delírio…
sou o bamba dos galpões do sonho
mestre-sala da mais bela porta-estandarte…
mas este choro caiado deitado no braço dum bandolim
e os tamborins todos depostos nas sarjetas,
me põem entre aspas
sem ornamento, incógnito, insolúvel, sem pausas…
ausente à sustentação do silêncio
escorre alva a tinta de minha face
surreal e imodesta , atrativa como uma semente de romã,
marcada de raízes tensas que decalcam o pescoço,
envolvendo o pomo protuberante
que aquecido pelo canto eclode em memória apaixonada
Um pierrô se desmancha em cinzas na quarta-feira
Um outro pierrô namora a poesia do meu agora
do meu “acontecendo”
penso em assassiná-lo, mordido de ciúmes que fico
eu que flerto com o “será”, com cantilenas de mil promessas
bicho de dentes danados este ciúme
morde o calcanhar da gente, aperta até curtir em fel
toda a fibra
Se ao menos pudesse eu, ser inexiestente enquanto insisto,
parar de co-criar-me em tudo…
quero re-crear-me, recreio, momento de existência plena
Quiçá seja no jardim do recreio que namoram o pierrô e a poesia
e deste namoro nasça um novo fevereiro…
esta permissibilidade me põem nos cascos…hahaah…
puto, puto, puto… este pierrô, este pierrô me cafetina…
pierrô miserável!… sou louco por ti, mesmo com esta cara mal
lavada de tinta velha, ainda pregada nos vãos da face.
Ainda assim, em cinzas desmanchamo-nos todos
haverá sempre uma corda arrebentada no violão
no momento do arpejo e seus extremos
e um som tornando-se silêncio em seu corpo
Wednesday, November 29, 2006
Meu ritmo salino misturado a sua cadência
Torna-me o bojo de tuas sonâncias
Loa polvilhada ao morrer do dia…
Meus dedos vadiamente em prece tocam-lhe os pés
Através do toque faço amor com a divindade
Deitamo-nos nas escadarias, na tecla mais grave, desafinados…
São a nós as bênçãos dos fiéis quando cruzam o limiar ventral
São a nós os terços mal rezados, e as pernas que se roçam entre saias tão recatadas.
Meus lábios intumescido de teu verbo feito carne
Eucaristicamente dissolvem-se, perdem o continente corpóreo
E semeiam o sal em seu leito de mulher
Deus e o Diabo sujando as unhas na terra mais úmida
Sob a túnica a matéria é mastigada em língua tépida
Sob os mil-panos do altar, alternam-se Ágape e Eros como cabras cegas
Bodes alados, berrando a esquerda e a direita do trono do Altíssimo
Meus dedos se contraem fervorosos nutrindo-se do arrepio feerico de sua pele
Aperto as pálpebras , nossas palmas embebidas de devoção peregrinam a porcelana
Trincada, e é pelo trinco, pelas frestas do perfeito que choram leite e mel
Eva e Madalena gozando o sumo de manga enrubescida
Embriago-me neste cálice, esta uva etílica, este seixo côncavo
O intemporal em nossas veias cauterizando toda culpa
Dissolvendo nossos bunkers de censura, conciliando nossos corpos
Aninhados um no outro, num indivisível gozo consagrado.